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13 de out. de 2005
Paramim
..E, nada como passar um belo e tranquilo fim de semana junto da família. Matei saudades dos meus cds, dvds, dela e de meus filhos...Descobri que não brigaram na minha ausencia,e se tornaram grandes amigos.Minha filha tomou conta da minha cama, e tudo ficou como estava, nem parecia que eu havia ficado duas semanas longe de casa.Sempre me preocupei com esse lance, mas na realidade não percebemos que nossos filhos crescem, e como no fundo eu queria, eles aprenderam. Quero-os independentes cedo, incentivo-os a pensarem num futuro sem minha presença. Já deu pra notar essa independencia. Eu fiquei feliz com a situação, me torna mais livre também, e menos preocupado. Quando me separei da mãe deles há 11 anos e quiseram morar comigo lembro que foi meio esperado e meio choque. Apesar de querer ficar com eles, imaginei como seria em relação ao meu trabalho, com viagens, incertezas de onde morar, qual o estado estaria no ao seguinte. Já passamos por três estados, e várias modificações, mas esse tempo veio como que para carimbar minha vitória, uma grande vitória para nós. Tudo ficou sempre para que eu decidisse, que eu fizesse, que eu controlasse, que eu pedisse.Nunca fui um pai autoritário, e algumas vezes levei a culpa de me deixar levar.A mãe deles sempre me culpou, por achar que eu não tinha ´´pulso forte``, mas não era essa minha idéia de criação. Sempre carreguei a idéia de crescer com responsabilidade. O meu tempo de criança e adolescente sempre foi muito certo, e correto, sem deixar de curtir tudo o que de melhor havia na minha época.Lembro que quando ganhei o meu pimeiro toca-discos Phillips, ela falou: ´´Meu filho, você vai ouvir isso?`` Era o Led Zeppelin IV, ´´Black Dog``. Não nos impedia de fazer nada, com nossos gostos, contanto que soubessémos o que estavámos fazendo. Não mexia no nosso salário, mas não comprava nada mais para nós.Minha mãe sempre dava as regras de como e o que fazer. Eram regras claras e limpas, mas muito justas, e sabia que podia contar conosco nos momentos mais difíceis. Fomos criados com essa tal liberdade aliada a responsabilidade. O resultado é que nos tornamos independentes cedo, aos 17 anos, os dois.Nessa idade já tinhamos emprego fixo, concursados. Conversando com eles, percebi o quanto amadureceram, e quanto é bonito essa forma de crescer. O Junior, feliz da vida e empolgado, indo participar do Campeonato Brasileiro de Kung-Fu, no Rio Grande do Sul; Bárbara, decidida em ir morar em São Paulo daqui há dois anos; Carol, olhando novos horizontes, e mais estabilidade, pensando em correr atrás de uma profissão estável.Pensando nisso, lhe dei um Livro ´´Nunca Deixe de Sonhar``. Ela completou 20 anos, dia 03 de outubro.Mesmo que os sonhos não se realizem, mas fiquei impressionado pela forma como falaram comigo, a decisão, a perseverança na conquista do espaço de cada um. O fim de semana foi de completas realizações. Voltei satisfeito, e pronto para passar mais uma temporada por aqui, onde o sol insiste em morar.Estou feliz por meus filhos, por mim, de bem com todos e com a vida.Para ficar de bem com essa vida que levamos não adianta ter medo, as coisas vão acontecer com ou sem ele.Nos resta apenas viver.
No Gramophone: ´´Só Nos Resta Viver``, Angela Rorô.
Escrito por Sergio Nasto,
às 17:29
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