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28 de abr de 2005

Uma Certa Maçã Partida ao Meio.

...E eu, naquela época, apenas brincava, não me ligava muito em música, mas ouvia diariamente um compacto duplo que tinha quatro rostos na capa. Minha irmã, repetidas vezes, punha na vitrola Philips.. ´´Let it be, let it be Let it be, let it be Whisper words of wisdom Let it be..``..Eu não sabia, mas eles eram os melhores, os revolucionários, os que mudaram o destino, e a história da música, como antes e depois de um disco: ´´Sargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band``...Isso só soube mais tarde...Não sabia de nada...Eles eram John, Paul, George e Ringo...Não sabia também que haveria um reencontro...Aquele era apenas o primeiro contato....Muito prazer.
Assim, anos depois, numa tarde na casa do Alberto, fazíamos um trabalho escolar para recuperação de química, e num daqueles momentos de preguiça, mexendo nos discos da irmã dele, Karin, reconheci a foto na capa preta de um Long Play, o LP, na época.Ela era semelhante a do compacto duplo que tínhamos em casa, mudava apenas a cor, que era branco, mas a maçã era inconfundível. O Alberto foi meu companheiro das recuperações e das reprovações daquele ano. Fizemos um péssimo trabalho, e uma ótima audição dos discos. Pedi emprestado um, o Let It Be, e levei quatro, o ´´Abbey Road``; ´´Houses Of The Holy``, do Led Zeppelin; e, ´´Ashes Are Burning``, do Renaissance, discos que fiz questão de comprar depois, e que hoje me seguem em cds, recordação de uma inesquecível tarde de primavera , foi como se tivesse encontrado velhos amigos...´´Então,aqueles eram os famosos Beatles...``, pensava, associando as coisas...E como diz uma música do 14Bis, fiquei perdido em Abbey Road.Com eles perceberia, o que é ouvir música.
Daquele dia em diante, lia toda matéria sobre eles, comprava revistas, discos, e passei a entender, a participar de todo aquele mundo Beatle.Estava no meio da minha adolescência, e a maioria das pessoas que gostava deles tinha mais de vinte anos.Não era eu um beatlemaníaco.Eu era aquele moleque que tinha um papo-cabeça, que conversava com qualquer um mais velho, sem medo, com a maior segurança, e foi assim que conheci o Mauro, namorado de uma amiga, que me emprestou uma fita cassete TDK, com mais de vinte músicas. Todo santo dia escutava, até hoje sei quase toda a seqüência das musicas, que começava com ´´Magical Mystery Tour``, o lado A, e o lado B , com ´´Back In The USSR``. Corria a Era Disco, e não havia bons programas nas rádios, exceto, na JB-FM, na Rádio Imprensa, e o ´´Cavern Club``, da Rádio Mundial, uma rádio AM com alma de FM, era exclusivo com musicas dos ´´Garotos de Liverpool``, com informações, músicas, pedidos, sorteios...´´O sonho não acabou!``, dizia o locutor, e aumentava o volume ao som de ´´Old Brown Shoe``....Alguns anos mais tarde, acordaríamos.
No dia 09 de dezembro de 1980, ao chegar na agência de classificados de O Globo, onde eu trabalhava, me surpreendi. Sentei no pacote de jornais, e terminei a leitura. John Lennon morto, baleado por tal Mark David Chapman, em Nova York. Era inacreditável. À tarde fiz um desenho enorme de John no quadro da sala de aula.Amigos, que não os conheciam, passaram a pedir discos emprestados, e a gostar da história. Não acreditávamos que um Beatle podia morrer. Vinte um anos se passaram e, no dia 29 de novembro de 2001,George Harrison, se despediu do mundo, e os imortais agora são Ringo e Paul.
Afinal, de que são feitos nossos sonhos?. Nossos sonhos são feitos de vidas e mortes. Muitas sonhos conseguimos realizar e outros nunca. Os Beatles fizeram parte dos sonhos de milhões e milhões de pessoas, e ainda fazem. Eles sobreviveram. Nossos sonhos sobrevivem. Em seu último disco gravado, ´´Abbey Road``, que é o mais vendido, a menor música é a que tem a liçao maior:´´...And, in the end, the love you take, is equal to the love you make.``...O curioso é que esse disco começou a ser gravado em abril de 1969 e, exatamente um ano depois, é decretado fim do Beatles. Em abril de 1970, o sonho deles acabou, mas o nosso estava apenas começando.


No Gramophone: ´´Free As a Bird``, The Beatles.

Comentando os comentários :

Sheila: Hoje não sou tão fanático com era, mas ele continua sendo meu time do coração, é um caso de amor eterno mesmo.

Um Canceriana
: Defeito?Se você pensar melhor verá que não bem assim.

Claudia: É, meno male!

Jady: (1) Nessa época era mais apaixonada, era paixão, agora é amor...(2)Para mulher é como entrar num shopping e fazer compras.

Ana: (1)Ótima visita!...(2) Tricolor? Esse blog é seu, também!...(3) Caraça! 2 a1, valeu a torcida, fique ä vontade

L. : Ah, a partir de hoje você já é tricolor, e não vale dizer que não entende de futebol.

Renata: E você, já se decidiu? Seja bem vinda, e apareça sempre.

Drica: (1) Toda a minha adolescência foi cheia de momentos muito legais que guardo até hoje e, mesmo com todas as minhas mudanças, falo com amigos daquela época...(2) Sabia que você tava torcendo pelo Volta Redonda..(3) Ah, se todos fossem iguais a esse prefeito...

Teti: (1) Não sou tão torcedor como era antigamente...(2) Vamos nos enfrentar na Copa do Brasil, quero só ver.

Cristiano: Um grande abraço eterno e fraterno

Ana Melo : (1) Não precisa entender, apenas torcer, depois você já está gostando...(2) Obrigado.

Rafa : (1)E aí, sumida! ..(2) Obrigado...(3) Eu me cadastrei no Orkut duas vezes por que fui convidado, mas não gostei, achei muito chato, e desisti, na realidade, nunca entrei.

Carol : Paixão não é pra se entender, e sim, pra se viver!

Anita: (1) Até que simpatizo com o São Paulo por ser tricolor (2) Obrigado.

Gisele: (1) Eu tinha 6 anos e agora com você falando tenho quase certeza que a festa era do tri-campeonato mundial..(2) Quis falar do perdão para o amor e não pelo amor, na verdade. De qualquer forma está perfeita.


Escrito por Sergio Nasto,
às 22:19


21 de abr de 2005

Um Caso de Amor Eterno

...E na janela de um apartamento na Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, havia um menino com um brilho nos olhos.
Hoje, não lembro ao certo o ano, pode ter sido 1969 ou 1971, comemorando-se a conquista do titulo de Campeão Carioca pelo Fluminense, ou 1970, comemorando-se a Copa do Mundo, só lembro que a festa era grande, muito grande. Eu, debruçado na janela, vi uma das imagens mais lindas da minha vida, que guardei com muito carinho: uma enorme bandeira do Fluminense na janela ao lado. Ali decretei em mente meu amor ao tricolor carioca. Aquele foi um dia especial para mim, um dia verde, grená, e branco.
Anos depois, em 1977, incluia no meu roteiro uma Via Sacra, sempre nos dias em que a aula terminava mais cedo. Eu saía do Cócio Barcellos, colégio onde estudava, em Copacabana, deixava uns amigos, Maria Amélia e Adilson, no Bairro Peixoto, na Rua Maestro Francisco Braga, seguia até a Praça Vereador Rocha Leão, onde deixava o Lisandro, e entrava no Túnel Velho, saindo em Botafogo, atravessava a rua, parava na esquina do Cemitério São João Batista, e me despedia do último companheiro da caminhada, o William Thiago. Eu morava na Rua Voluntários da Pátria, esquina com a Rua Sorocaba, três ou quatro quarteirões depois. Passava lá deixava os livros na portaria, e sempre dizia onde estava, para na deixar minha mãe preocupada. Às vezes escondia-os na banca de jornal, meu primeiro emprego, e seguia pra casa de um e de outro, convidando, íamos conversando e brincando, até a Rua Álvaro Chaves, número 41, onde terminava a Via Sacra. Havia um romantismo em tudo aquilo.
Adorávamos às Laranjeiras, assistir ao treino, ver algum ídolo, ou simplesmente para ficarmos nas arquibancadas descansando, ´´matando o tempo`` como dizíamos na época. Lembro dos maravilhosos dias, da Máquina Tricolor, o grande time do Fluminense bicampeão carioca de 1975/1976, e por muito pouco não fomos campeões brasileiros nesses anos. Grande era simples apelido, ele era o melhor, o enorme. Lembro do pôster do meu quarto, e do mesmo, menor, no meu caderno, abaixo do mini-pôster do Led Zeppelin, os jogadores eram: Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Rivelino e Dirceu; Gil, Doval e Paulo César Caju. Nós amávamos aquele time. Sofremos muito no troca-troca com o Botafogo e Vasco, em 77 e ganhamos naquele ano a Taça Tereza Herrera, na Espanha. Nos decepcionamos com a ida do Rivelino para a Arábia Saudita, em 78. Mas, amor é amor, e mesmo não ganhando títulos nos anos seguintes,continuávamos cada vez mais tricolores. Os anos oitenta nos trariam dias imensamente felizes.
Houve uma tarde esplendorosa quando meu coração quase saltou pela boca, vendo, chorando abraçado com amigos e meros desconhecidos na festa do Campeonato Carioca de 1980, quando Edinho fez o gol de falta em cima do Vasco. Nesse mesmo dia, conheci um bar em frente ao Clube Municipal, na Tijuca, e alguns anos depois, em 1984, no dia em que o Fluminense foi Campeão Brasileiro, também em cima do Vasco, no primeiro jogo, com um gol do Romerito, tomei meu primeiro grande porre e vários Caldos Verdes, junto com o Alexandre, um dos grandes amigos tricolores desde a época do Cócio Barcellos, assim com o Alberto. Não fui ao segundo jogo, pois viajei a trabalho. Lembro do Tri-Campeonato Carioca ( 83,84,85), de Assis fazendo os dois gols nos dos jogos finais, no último minuto no Fla x Flu de 1983, quando nós já descíamos a rampa, voltamos correndo junto com um multidão para comemorarmos o título...Acho que o mais importante gol da história do Fluminense... "Recordar é viver, Assis acabou com você", ecoava no Estádio Mário Filho... ''São os ´´Irmãos Karamazov`` do futebol brasileiro'', dizia Nelson Rodrigues, antes de morrer, a um Fla x Flu, comparando os clubes aos irmãos da obra de Dostoiéviski ...Velhos e bons tempos.
Domingo passado, dia 17 de abril, era um dia especial, aquele era um domingo especial, como os antigos, e seria, mesmo se eu não ficasse plantado casa, esborrachado no sofá, vendo filmes, passando de canal em canal para ver toda e qualquer reportagem sobre o jogo. A tarde chegou e mais ansioso fiquei, até chegar a hora marcada, 1600h. Vendo aquela multidão no Maracanã, não pude deixar de me emocionar, e lembrar de um tempo muito feliz. Era como se fosse um passado. Exceto pelas cores do adversário. Estive nervoso durante todo o jogo, torcia, chutava, passava a mão o rosto, xingava o juiz, o erro, como se estivesse Maracanã, mas eu estava longe, há quilômetros de distancia, perto apenas meu amor e coração. Não sei, mas parece que algo protegia o Fluminense, talvez o canto em fé pra João de Deus, da Young Flu, mas dois gols aos 48 minutos, virar um jogo quase perdido, é coisa que se Nélson Rodrigues estivesse vivo, diria, que foi o ´´Sobrenatural de Almeida``. Bom, sobrenatural ou não, só sei que o Fluminense é Campeão.

No Gramophone: ´´ Carpet Of The Sun``, Renaissance.

Comentando os comentários :

Teti: (1) Quem história terrível essa que você contou...(2) A vida está banalizada, infelizmente.

Jady: (1)Faremos um mundo melhor, ou pelo menos tentaremos para nossos filhos!

Lulu: (1) Existe sim Lulu e que bom que nós sabemos e acreditamos...(2) Ela é linda realmente, o cd todo é ótimo...(3) Obrigado...(4) Rápido? Aparecerei sempre.

Drica: (1)É a realidade, mas nem sempre de real vive o mundo, ainda bem.

Aldy: Conheço há pouco tempo, mas já deu pra saber que ele é excelente.

Canceriana: (1)Você está certa, que maravilha seria se todos pensassem igual a você...(2) Seja bem vinda..(3) Obrigado...(4) Zodiacais?esses eu não conhecia, mas deve ser ótimo, então, pra você também.

Cristiano: Não podemos permitir que invadam nossas vidas, basta que apenas passem largo.

Gisele: (1) O homem realmente esquece de defender-se de si mesmo...(2) Acredito nessa evolução, mas a chance está no dia-a-dia, para isso somos inteligentes.

Shê: Pensamos muito, todos os dias, se pararmos, morreremos.

Anita: (1) Obrigado!..(2) Estamos cercados, mas há uma brecha onde nossa esperança pode e deve passar.

L.:(1) Não, e novamente não falou no e-mail...(2)Passarei lá.


Escrito por Sergio Nasto,
às 22:22


15 de abr de 2005

O Crime do Século
...E encontramos alguém que recebe um telefonema dentro do presídio, alguém passa uma informação fora do presídio, alguém recebe por ela dentro do presídio, alguém paga muito bem pelo serviço fora do presídio, alguém comete um crime...Fácil, fácil...Então, voltemos...Alguém comete um crime, alguém pagou muito bem pelo serviço, alguém recebe...Vamos por parte: alguém recebe pela informação ou pelo crime?A informação vem de dentro, o telefonema de fora...O crime é cometido fora, mas quem recebeu está dentro. No fundo, o crime é cometido dentro e fora da cadeia. No sofá do gabinete, no salão de uma biblioteca, numa convenção, numa reunião política, no trem e ônibus. Seus importantes membros estão sentados lá dentro, os outros estão em pé, fora, esperando o comando, a recepção do dinheiro, o depósito da confiança no serviço bem feito.
Assim, deparamos como são cometidos todos os crimes, dessa forma vive toda a humanidade em todos os tempos. É inútil hoje, se criar novas leis para se combater a violência. Todos os métodos foram postos à mesa, num tribunal, mas os crimes continuam. Não há um método infalível, não há um ser humano sem crime. Uns combatem a pena de morte, mas se massacrarem suas famílias, querem se vingar de todos, matando-os, de preferência. Se há um criminoso confesso, há um advogado para libertá-lo, em nome da democracia, e liberdade. O criminoso, então, tinha liberdade para matar? Se há provas para incriminar um inocente, aparecem os que querem linchá-los, cometendo, assim, um crime.
Quem convenhamos, ganha com os crimes e criminosos? Quem ganha com as liberdades para matar? Digo matar, por ser o pior de todos os crimes.Pode ser matar a fome.Nem todos mudam rumos. Ganham, a audiência da tv, as vendas dos jornais e revistas, os juízes com suas condenações e liberdades compradas, os governos com verbas para a segurança, os donos de empresa de segurança, as seguradoras, as fábricas de alarmes...O criminoso, ele já deu o que tinha que dá, então, matá-lo, é o ideal. A vitima, lamenta-se, apenas. E, nessa estrada, a humanidade segue para onde nem ela mesma quer saber, um horizonte vertical, uma história sem moral, onde no final todos perdem. Perde quem passa uma informação, quem paga, quem recebe, quem mata. O esquecimento total de sentimentos, ou do que se foi um dia. Se hoje alguém não se acha um Ser, ele nunca o foi. Esse é o crime dos séculos e séculos. O homem comete crimes por falta de descobertas, e a principal é de si mesmo.Come-se o pão que o diabo amassou hoje, amanhã Deus oferece a melhor fruta, e ele não agradece.
Desse jeito voltamos à estaca zero, ao conhecido crime, de Caim e Abel. Crimes e vidas são oportunidades. Muitos são sem motivos, o criminoso não conhece sequer a vítima, se rouba é por estar sem emprego, se está em emprego é por que não estudou, se não estudou é por que não lhe deram a oportunidade. O homem nunca respeitou o homem. O homem subjulga o homem. O homem não acredita no homem. O homem não sabe o que é homem.O homem não sabe o valor do homem.
Agora, paramos, então, no início de tudo, início do que não pensamos, inicio do que não falamos, início do que não sabemos, início do onde viemos, início para onde vamos. Esse é o centro de tudo, e para tudo. Penso que o homem ainda está para descobrir o que realmente ele é. Não existe sentido em tantas guerras, violências...Isso é mundial, não há lugares isolados, então tudo leva a crer que é do homem.O mal do homem. Ainda não existem lugares isolados, porque o homem não sabe do seu sentido na terra, quando cada um souber sua missão, cada um viverá para cumpri-la. Em se cumprindo, verá que poderá ser feliz. A felicidade existe, tanto que não há na terra um homem que não queira ser feliz, que não tenha amor.A missão não é única, as partes se encaixam com o tempo. Cada etapa vencida é uma felicidade encontrada
Descubra, acredite em si, e saberás sua missão.

No Gramophone: ´´No Surprises``, Radiohead.

Comentando os comentários:

L.: (1) Nem tanto, minha amiga...(2) Cuidado para não esquecer de respirar...(3) Não, você não falou, diga por e-mail.

Drica: (1) Já plantei um arvore, já tenho um filho, falta escrever um livro..(2) Obrigado.

Shê: (1) Obrigado..(2) É triste, como a morte, e real.

Teti: (1) Também não gosto...(2) Peguei-a no colo para ver se ela tava só machucada, pois, carro passou por cima, e quando vi o sangue pela boca é que vi que não havia jeito.

Jady: O susto chega a ser igual, o choque é diferente.

Anita: (1) É realmente triste sua história mas, com final feliz e glorioso...(2) Obrigado.

Ana: (1)Obrigado!..(2) Você já escreveu as palavras.

Claudia: (1) Obrigado...(2) Grande observação dos gatos americanos..2) infelizes, os gatos cariocas.


Escrito por Sergio Nasto,
às 00:38


8 de abr de 2005

Sete Vidas

...E ainda assim é possível gostar de viver, mesmo sem peixes ou ratos, sem carnes ou patos, sem leite ou água, sem pássaro ou cão. Sei que para nós a vida não está fácil, e imagino para eles, pobres mortais sem chance de clonagem, pelo menos por enquanto e assim tão fácil. O que ganhariam, clonar sete vidas? Alguém já parou pra contar suas vidas? Quantas chances lhe deram? Quando estamos morrendo, será que não temos mais chances?Chegou a nossa hora?
Bom, pensei nisso agora, mas antes fiquei assustado. Gostaria de ter lhe dado uma chance. Minha intenção era passar no sinal, mas a ida à padaria me fez desviar do caminho.O que pensei é que temos as mesmas chances, na hora de não pegar o avião, trem ou ônibus antes de um acidente...Ou na saída, do exato momento do assalto com tiroteio...Anjo da Guarda? Todas as criaturas possuem guardiões? Quando acontece, é por que o Anjo dormiu? Ele morre junto? É a hora dele, também? O que acontece na hora da partida?
Aquele era um bom dia, um lindo e calmo sol, depois da chuva. Eu estava tranqüilo, de férias, tarde boa para sair, caminhar, pensar na vida, aproveitar a brisa e gastar algum dinheiro. Comprei um cd que há muito queria, ´´Houses of The Holy``, do Led Zeppelin, e mentalmente, cantarolava suas músicas. O trânsito na avenida que moro estava intenso, como sempre nos fins de tardes. Parei para atravessar, olhei e pensei: O que ele está fazendo ali parado? Estava quieto, pensativo, parecia se despedindo, orando.
Naquele momento me veio à mente uma série de coisas. Há um mistério sagrado, sobre a vida e a morte, não sabemos nada de nenhuma das duas. Há os que acreditam em missões, e os que acreditam num vazio, um sem por quê. Algo me chamou a atenção naquele coitado, algo triste, solitário, desesperador, assustador. Pareceu que sua parceira tinha lhe tirado o direito de viver, sem ver seus filhos, ou simplesmente, não conseguia o leite de cada dia. Se fosse ladrão, não conseguia um roubo sequer. Sempre ouvi dizer de seus defeitos, do seu desamor, do seu desapego...Seria isso?Teria sido expulso de casa?Pois é, ali estava alguém, se é se pode chamar assim, desesperado por apoio, uma conversa, nem que fosse num telhado, vendo as últimas estrelas, o ultimo luar... Isso em questão de segundos, foi como dizem, que quando estamos morrendo passa um filme de nossa vida e poucos segundos, assim assisti sozinho aquele filme, e não era meu...Não sei quem foi e voltou para dizer isso, e nem isso poderia lhe dizer.
Foi então, que ele tentou atravessar a rua. Fiquei impressionado com tamanha coragem, mas pedi aos deuses para impedi-lo da próxima tentativa, eu o ajudaria. Aquilo era suicídio. Quando eu menos esperava, ele se jogou na frente de um carro. Ouvi o barulho, e um corpo no chão. O motorista não parou, acelerou ainda mais. Eu, rapidamente, para evitar um estrago maior, peguei-o no colo e parei na calçada...Deitei-o no chão, tentei examiná-lo para ver onde havia machucado mais, percebi que era fêmea, e era inevitável o fim, costelas quebradas, lhe faltava ar, provavelmente perfurações dos órgãos vitais. Levei-a ao colo novamente, fiz uma pequena massagem no seu peito...Mais dois ou três suspiros e morreu. Provavelmente por amor. Aos filhotes, talvez.
Gostaria de ter lhe dado um enterro descente, mas não a conhecia. Acho que a família morava por perto. Provavelmente era uma boa menina, forte, bonita, como diriam nossas avós, cheia de vida. Tudo que pude fazer foi deixá-la, num canto da calçada, para que ninguém incomodasse seu sono eterno. Outros passariam por ali, e o reconheceriam, talvez um ex-namorado, um ex-patrão, uma ex-amiga, ou até mesmo aquele cachorro do seu pai...Notícias ruins correm rápidas. Coitada. O que percebi é que de nada adianta ter sete vidas, se o Anjo da Guarda tem seis.

No Gramophone
: ´´The Rain Song``, Led Zeppelin.

Comentando os comentários:

Shê : (1)É bem melhor pensar antes sozinha, pra saber e entender a possibilidade, ou da não possibilidade. Agradar só a um não adianta...(2) Que bom que encontrou a felicidade.

Anita : (1)Obrigado....(2)Medo não precisa, pois se assim for não se pode amar, o cuidado com a relação é primordial, os dois cuidando, é claro....(3) Vamos lá, combinaremos no decorrer do ano.

Jady: (1) Esse é o maior problema, mas há jeito para se contornar...(2) ´´reconfiar`` é sempre mais difícil para nós homens...(3) Vamos assisti-lo, juntos!

Claudia: (1)Confiar no amor sempre e desde o inicio é a melhor forma de na cometer erros, o problema é que a grande maioria não acredita nisso, acredita, sim, na campanha da nova marca de cerveja. Mas há casos e casos, como você falou...(2) Vamos te fazer inveja!!!!

Drica: (1) Obrigado...(2) Como a Claudia falou, existem casos e casos, nem sempre há voltas, e sempre são doloridas, vai de Ada um repensar se vale a pena, vai depender do grau de mágoa ou de amor...(3) Não se pode comparar um casamento a m cristal, justamente por causa das quebras, diga-se uma porcelana, que dependendo da quebra, há menos o mais pedaços..(3) Impossível, não acredito.

L.: (1) Beijos, já os peguei....(2) Obrigado.

Zy: (1)Isso acontece todos os dias...(2)É verdade, bom seria se encontrássemos sempre pessoas preparadas e atentas pra isso, seria meio caminho andado.

Teti: (1)Realmente foi pouco tempo, mas o problema maior foi morar na casa dos pais...(2) O afastamento foi bom até, segundo ele...(3)Eu não concordo com afastamentos, tempos, essas coisas.

Rafa: (1) Como não gostar? Basta você postar...(2) Legal, espero ter ajudado em algo.

Ana: (1) Existem os felizes, ainda bem...(2) O bom é a chance pra mudar, e entender essa oportunidade e não jogá-la fora...(3) Só vai saber o resultado se fizer.

Lulu : (1) São as oportunidades que nos fazem enxergar o melhor de cada escolha...(2) Visitarei sempre

Carol: (1) Sou todo ouvido, ou seja, olhos. Um amigo nunca se chateia com uma confidencia do outro, sinta-se à vontade...(2) Cada caso é um caso, mas há possibilidade...(3) Aguardo o e-mail, mandei o meu no seu blog.

Gisele:(1)Acreditar na possibilidade já é meio caminho andado, o mais importante são as partes se conscientizarem disso...(2)Obrigado pela visita, volte sempre.

À todos : O amor é uma chance!


Escrito por Sergio Nasto,
às 13:35


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