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1 de dezembro de 2009




ÁGUAS

Use a água que banha meu corpo
Para molhar o seu
Molhe com a água usada no seu corpo
E passe a beijar o meu
Assim, a essência do amor
Transformará em perfume
O brilho do lume
A paixão que acalma a dor
Pulsante
De desejos revelados
Dois nús, como colados
No mais
Use o perfume que sai do meu corpo
Depois do amor consumado
E longe da idade, do tempo
Deixe o extrato guardado
Para quando você quiser dormir
Ao meu lado.


No Gramophone : ´´Esconderijo´´, Ana Canas


Escrito por Sergio Nasto,
às 10:32


21 de novembro de 2009



Um Simples Conto de Natal


Então, é natal...

Valdo não tinha dinheiro para comprar o peru, o panetone, um bom vinho ou castanhas e frutas.

O que fazer? Vender mais papelão? Limpar mais carros no sinal? . Eram boas opões...Só que com o tempo chuvoso quem andaria com uma carroça cheia de caixas, ou mesmo, secaria o pára-brisa dos carros? .

- “Não me dariam dinheiro. Seria taxado de louco. E só loucos cometem loucuras.``. resmungou.

E ele não era louco. Era apenas um desempregado, como tantos outros, em tantos lugares, sem tantos luxos, e com tanta pouca misericórdia de Deus.

A Chuva não cessava.

“São Pedro não acaba essa faxina no céu??!!”, gritou, enquanto saia de sua casa, para arejar as idéias e transformá-las numa bela ceia de natal, se possível. Algo para completar

o arroz, a farofa,

Às vezes algumas boas lhe apareciam e tomavam boa parte do cérebro, satisfazendo sua fome. Era como se tivesse comido um pedaço de sua enorme cabeça, pois, no outro dia, estava com enxaqueca terrível. Hoje ele estava faminto de idéias, que piorava ao olhar as vitrines, os balcões das lojas, e de longe, sentir o cheiro das ameixas, frutas, vinhos.

Já passavam das 1300h e finalmente, o aguaceiro findou. Ele sentou num banco da praça, que estava lotada de crianças, anjos, para ele. Caminhou ao encontro da luz refletida. Era era apenas um guarda chuva, esquecido no jardim por alguém.

Como nunca se sabe o dia de amanhã, ou a próxima hora, foi embora, testando o que agora poderia ser um guarda-sol. Percebeu que se continuasse com aquilo armado, o chamariam de louco, e ele não era louco. Continuou sua peregrinação, entrando num mercado para ´´alimentar`` melhor sua imaginação e encher a boca de água em sonhos.

“Nossa mãe do céu, esse presente quer ser meu!”, pensou, com um sorriso nos lábios, ao ver um bacalhau meio caído num balcão.

Olhou em volta, não haviam olhares maldosos direcionados, nem câmeras. Daí, teve a mais brilhante idéia de sua infeliz vida: empurrou o bacalhau pra dentro do guarda-chuva desarmado... tentou fechá-lo melhor e não conseguiu. Por fim, o encostou ao corpo, saiu apressado.

“Foi Deus o dono desse guarda-chuva!!”, falou baixinho para si.

Nesse momento, já na rua, caiu a maior chuva de sua infeliz vida. Ele seguiu, com o guarda-chuva fechado, protegendo o bacalhau. Sem querer saber o que pensariam dele por estar se molhando.

Corria feliz.

Hoje, comeria bolinhos de bacalhau em sua solitária ceia de natal.


No Gramophone : ´´Brejo da Cruz´´, Chico Buarque



Escrito por Sergio Nasto,
às 18:30


12 de setembro de 2009


O Silêncio Após


Curvo-me ao silêncio
Que você me impõe

Agora, sinto-me longe
No labirinto das minhas palavras
Das lembranças
Diurnas e noturnas
Das distâncias
Onde só a saudade alcança

Daria o mar, se meu fosse, para apagar
Tudo o que escrevi.
Certo e errado.
Escuro e claro.
Ar e céu
Mar e Ana
Aceitando.
Sendo assim, recomeçaria
Só para tê-la de volta


No Gramophone : ´´Break The Night With Colour´´ , Richard Aschcorft


Escrito por Sergio Nasto,
às 17:02


29 de agosto de 2009


A Bela da Tarde


E
Ela
Chegou tão cedo
Com o amanhecer
Ficou tanto tempo
Com o amor
Foi embora
Tão tarde
Com o amanhecer


No Gramophone : Alceu Valença - La Belle de Jour


Escrito por Sergio Nasto,
às 02:55


10 de agosto de 2009






BLOGAGEM COLETIVA, IDEALIZADA POR DO


Câncer Sarney


Em 1950, aos poucos o câncer tomou conta de diversos órgãos do corpo.
Passou de malígno a benígno e de bem ao mal, como o dia passa para a noite.
Conseguiu desaparecer de cena, destruindo por dentro e em silêncio,
um corpo que tentava sobreviver de épocas duras.
Aliou-se a outras doenças e ficou tão forte e devastador,
que até agora não encontraram remédio para exterminar de vez o mal.
E uma população imensa de médicos, tão boa quanto de técnicos de futebol,
é ludibriada e não sabe ao certo o diagnóstico.
Para entender como evitar outro mal como esse, é necessária uma terapia do voto,
depois que o acamado Brasil, sair dessa para uma melhor.
O câncer quando cedo descoberto pode ser aliviado, mas se o descobrimos tarde,
é certo a morte do paciente.
Com 59 anos ele atingiu o máximo.
O Brasil está politicamente à beira da morte.
Não há remédio.
A retirada da sujeira é o certo a fazer.
Retiremos os podres e partes doentes.
Ajudemos o paciente.
Doemos nossos orgãos.
Cirurgia com data marcada, para 03 de outubro de 2010.
Convoquem-se os mais de 140 mil médicos.
Salvemos o Brasil!


No Gramophone : "Hey You", Pink Floyd


Escrito por Sergio Nasto,
às 00:34


19 de julho de 2009



Nunca Aconteceu Antes


Eu gostaria que fosse você
A me acordar na manhã de amanhã
Sempre.
A me acompanhar o dia inteiro,
Como hoje em pensamento,
E no coração, com toque certeiro
De um relógio ao despertar.
Eu gostaria que fosse você
A me dar o céu de cada dia.
Me levar às nuvens em cada noite.
Eu gostaria que fosse você
A me seguir nessas longas horas.
Para sentir o que acontece.
Do outro lado do mundo,
Quando desse lado o sol se põe.
E desse lado , quando ele nasce,
Peço tanto que seja você
Ou alguém como você,
A me acordar

No Gramophone : ´´This Never Happened Before`´, Paul MacCartney


Escrito por Sergio Nasto,
às 09:03


29 de junho de 2009






A Busca e o Tempo
O tempo passa rapidamente para os que lentos pensam. A lentidão do pensamento, deve-se a não ter muita opção de buscas. Na verdade, o tempo permanece o mesmo. Nada muda. As horas continuam sendo sessenta segundos, e anos, continuam formando décadas, sejam elas, perdidas ou a perder.
Pode-se dizer isso do Brasil. Politicamente passou-se rápido demais, mas foram lentas as mudanças, por não ter produzido o efeito que se esperava. A busca por um país melhor foi bloqueada por quem queria fazer um efeito maior, descontente com o passado. Claro, ninguém concorda com o passado manchado, o ideal é que seja limpo.
O país brigou tanto por eleições diretas para presidente. Quando houve a oportunidade, não soube votar. Mas, será que eram várias as opções?. Inúmeros transtornos depois e houve mais uma chance, várias opções, mas será que eram boas?
O melhor era seguir em frente e completar o oitavo ano. Os mais descontentes com
as opções e o resultado, buscavam um tempo mais rápido para enfim, se vingar no voto. A vingança é apenas uma bifurcação. E, em outra oportunidade, a vingança encontra oito anos a mais do mesmo.
Como seria a busca de algo melhor, se o caminho é o fundo do poço? O que se tem em mãos são pás, então, cava-se um buraco mais fundo, ou um túnel para que se encontre uma luz no fim. O tempo nos permite ter opções de buscas. O caminho, ele não oferece.
Há algumas décadas chorava-se por direito ao voto num país de presidentes. Os candidatos ávidos pelo poder queriam seu voto direto por direito. E o povo, ávido por cidadania, querendo dar seu voto direto para os imperfeitos candidatos ao cargo. Hoje, não há candidato direto, servível, para presidente da nação. E não há cidadão satisfeito com o destino que seu voto segue.
O tempo não busca o destino, esse, quem faz é o caminho que se decide seguir. O voto pode ser um grande e único caminho, mas, sempre há bifurcações no caminho de gatos e pombos.


No Gramophone: "Coração de Estudante", Milton Nascimento


Escrito por Sergio Nasto,
às 18:00


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