Use a água que banha meu corpo Para molhar o seu Molhe com a água usada no seu corpo E passe a beijar o meu Assim, a essência do amor Transformará em perfume O brilho do lume A paixão que acalma a dor Pulsante De desejos revelados Dois nús, como colados No mais Use o perfume que sai do meu corpo Depois do amor consumado E longe da idade, do tempo Deixe o extrato guardado Para quando você quiser dormir Ao meu lado.
No Gramophone : ´´Esconderijo´´, Ana Canas
Escrito por Sergio Nasto,
às 10:32
21 de novembro de 2009
Um Simples Conto de Natal
Então, é natal...
Valdo não tinha dinheiro para comprar o peru, o panetone, um bom vinho ou castanhas e frutas.
O que fazer? Vender mais papelão? Limpar mais carros no sinal? . Eram boas opões...Só que com o tempo chuvoso quem andaria com uma carroça cheia de caixas, ou mesmo, secaria o pára-brisa dos carros? .
- “Não me dariam dinheiro. Seria taxado de louco. E só loucos cometem loucuras.``. resmungou.
E ele não era louco. Era apenas um desempregado, como tantos outros, em tantos lugares, sem tantos luxos, e com tanta pouca misericórdia de Deus.
A Chuva não cessava.
“São Pedro não acaba essa faxina no céu??!!”, gritou, enquanto saia de sua casa, para arejar as idéias e transformá-las numa bela ceia de natal, se possível. Algo para completar
o arroz, a farofa,
Às vezes algumas boas lhe apareciam e tomavam boa parte do cérebro, satisfazendo sua fome. Era como se tivesse comido um pedaço de sua enorme cabeça, pois, no outro dia, estava com enxaqueca terrível. Hoje ele estava faminto de idéias, que piorava ao olhar as vitrines, os balcões das lojas, e de longe, sentir o cheiro das ameixas, frutas, vinhos.
Já passavam das 1300h e finalmente, o aguaceiro findou. Ele sentou num banco da praça, que estava lotada de crianças, anjos, para ele. Caminhou ao encontro da luz refletida. Era era apenas um guarda chuva, esquecido no jardim por alguém.
Como nunca se sabe o dia de amanhã, ou a próxima hora, foi embora, testando o que agora poderia ser um guarda-sol. Percebeu que se continuasse com aquilo armado, o chamariam de louco, e ele não era louco. Continuou sua peregrinação, entrando num mercado para ´´alimentar`` melhor sua imaginação e encher a boca de água em sonhos.
“Nossa mãe do céu, esse presente quer ser meu!”, pensou, com um sorriso nos lábios, ao ver um bacalhau meio caído num balcão.
Olhou em volta, não haviam olhares maldosos direcionados, nem câmeras. Daí, teve a mais brilhante idéia de sua infeliz vida: empurrou o bacalhau pra dentro do guarda-chuva desarmado... tentou fechá-lo melhor e não conseguiu. Por fim, o encostou ao corpo, saiu apressado.
“Foi Deus o dono desse guarda-chuva!!”, falou baixinho para si.
Nesse momento, já na rua, caiu a maior chuva de sua infeliz vida. Ele seguiu, com o guarda-chuva fechado, protegendo o bacalhau. Sem querer saber o que pensariam dele por estar se molhando.
Corria feliz.
Hoje, comeria bolinhos de bacalhau em sua solitária ceia de natal.
No Gramophone : ´´Brejo da Cruz´´, Chico Buarque
Escrito por Sergio Nasto,
às 18:30
12 de setembro de 2009
O Silêncio Após
Curvo-me ao silêncio Que você me impõe
Agora, sinto-me longe No labirinto das minhas palavras Das lembranças Diurnas e noturnas Das distâncias Onde só a saudade alcança
Daria o mar, se meu fosse, para apagar Tudo o que escrevi. Certo e errado. Escuro e claro. Ar e céu Mar e Ana Aceitando. Sendo assim, recomeçaria Só para tê-la de volta
No Gramophone : ´´Break The Night With Colour´´ , Richard Aschcorft
Escrito por Sergio Nasto,
às 17:02
29 de agosto de 2009
A Bela da Tarde
E Ela Chegou tão cedo Com o amanhecer Ficou tanto tempo Com o amor Foi embora Tão tarde Com o amanhecer
No Gramophone : Alceu Valença - La Belle de Jour
Escrito por Sergio Nasto,
às 02:55
10 de agosto de 2009
BLOGAGEM COLETIVA, IDEALIZADA POR DO
Câncer Sarney
Em 1950, aos poucos o câncer tomou conta de diversos órgãos do corpo. Passou de malígno a benígno e de bem ao mal, como o dia passa para a noite. Conseguiu desaparecer de cena, destruindo por dentro e em silêncio, um corpo que tentava sobreviver de épocas duras. Aliou-se a outras doenças e ficou tão forte e devastador, que até agora não encontraram remédio para exterminar de vez o mal. E uma população imensa de médicos, tão boa quanto de técnicos de futebol, é ludibriada e não sabe ao certo o diagnóstico. Para entender como evitar outro mal como esse, é necessária uma terapia do voto, depois que o acamado Brasil, sair dessa para uma melhor. O câncer quando cedo descoberto pode ser aliviado, mas se o descobrimos tarde, é certo a morte do paciente. Com 59 anos ele atingiu o máximo. O Brasil está politicamente à beira da morte. Não há remédio. A retirada da sujeira é o certo a fazer. Retiremos os podres e partes doentes. Ajudemos o paciente.
Doemos nossos orgãos. Cirurgia com data marcada, para 03 de outubro de 2010. Convoquem-se os mais de 140 mil médicos. Salvemos o Brasil!
No Gramophone : "Hey You", Pink Floyd
Escrito por Sergio Nasto,
às 00:34
19 de julho de 2009
Nunca Aconteceu Antes
Eu gostaria que fosse você A me acordar na manhã de amanhã Sempre. A me acompanhar o dia inteiro, Como hoje em pensamento, E no coração, com toque certeiro De um relógio ao despertar. Eu gostaria que fosse você A me dar o céu de cada dia. Me levar às nuvens em cada noite. Eu gostaria que fosse você A me seguir nessas longas horas. Para sentir o que acontece. Do outro lado do mundo, Quando desse lado o sol se põe. E desse lado , quando ele nasce, Peço tanto que seja você Ou alguém como você,
A me acordar
No Gramophone : ´´This Never Happened Before`´, Paul MacCartney
Escrito por Sergio Nasto,
às 09:03
29 de junho de 2009
A Busca e o Tempo O tempo passa rapidamente para os que lentos pensam. A lentidão do pensamento, deve-se a não ter muita opção de buscas. Na verdade, o tempo permanece o mesmo. Nada muda. As horas continuam sendo sessenta segundos, e anos, continuam formando décadas, sejam elas, perdidas ou a perder. Pode-se dizer isso do Brasil. Politicamente passou-se rápido demais, mas foram lentas as mudanças, por não ter produzido o efeito que se esperava. A busca por um país melhor foi bloqueada por quem queria fazer um efeito maior, descontente com o passado. Claro, ninguém concorda com o passado manchado, o ideal é que seja limpo. O país brigou tanto por eleições diretas para presidente. Quando houve a oportunidade, não soube votar. Mas, será que eram várias as opções?. Inúmeros transtornos depois e houve mais uma chance, várias opções, mas será que eram boas? O melhor era seguir em frente e completar o oitavo ano. Os mais descontentes com as opções e o resultado, buscavam um tempo mais rápido para enfim, se vingar no voto. A vingança é apenas uma bifurcação. E, em outra oportunidade, a vingança encontra oito anos a mais do mesmo. Como seria a busca de algo melhor, se o caminho é o fundo do poço? O que se tem em mãos são pás, então, cava-se um buraco mais fundo, ou um túnel para que se encontre uma luz no fim. O tempo nos permite ter opções de buscas. O caminho, ele não oferece. Há algumas décadas chorava-se por direito ao voto num país de presidentes. Os candidatos ávidos pelo poder queriam seu voto direto por direito. E o povo, ávido por cidadania, querendo dar seu voto direto para os imperfeitos candidatos ao cargo. Hoje, não há candidato direto, servível, para presidente da nação. E não há cidadão satisfeito com o destino que seu voto segue. O tempo não busca o destino, esse, quem faz é o caminho que se decide seguir. O voto pode ser um grande e único caminho, mas, sempre há bifurcações no caminho de gatos e pombos.
No Gramophone: "Coração de Estudante", Milton Nascimento